quarta-feira, 16 de maio de 2012

Brasileiro co-fundador do Facebook renuncia a cidadania norte-americana


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Eduardo Saverin, de 30 anos, mudou-se aos 13 anos de idade com sua família para os EUA, onde foi colega de turma de Mark Zuckerberg na Universidade de Harvard
Eduardo Luiz Saverin, de 30 anos, natural de São Paulo, o bilionário co-fundador do Facebook Inc. (FB), renunciou à sua cidadania norte-americana, antes da venda das ações da rede social avaliada em US$ 96 bilhões, uma decisão que poderá fazer com que ele pague menos impostos. O Facebook planeja aumentar o seu capital com US$ 11.8 bilhões com a venda das ações, a maior da história para uma companhia na internet. A parcela de Saverin na empresa é de 4%, segundo o website “Quem é Dono do Facebook” (Who Owns Facebook). Durante o processo de avaliação de capital, a sua parcela das ações pode alcançar aproximadamente US$ 3.84 bilhões.

Mudança para Singapura

Saverin faz parte de um crescente grupo de indivíduos que renunciam a cidadania norte-americana, uma decisão que pode diminuir os valores pagos ao imposto de renda. Atualmente, ele reside em Singapura e foi uma das várias pessoas que ajudou Mark Zuckerberg a iniciar o Facebook em um dormitório na Universidade de Harvard e espera receber bilhões de dólares depois que a maior rede social do mundo lançar suas ações no mercado.
“Eduardo achou recentemente mais prático se tornar um residente de Singapura, uma vez que ele decidiu viver lá por tempo indefinido”, disse Tom Goodman, porta-voz do bilionário brasileiro.
O nome de Saverin consta na lista de pessoas que decidiram renunciar a cidadania norte-americana a partir de 30 de abril, publicada pela Receita Federal. O brasileiro apresentou sua aplicação em setembro do ano passado, segundo o seu porta-voz.
A decisão pode fazê-lo economizar milhões em impostos gerados por suas ações no Facebook e evitar a cobrança de impostos em seus investimentos futuros. Singapura não cobra impostos sobre ganhos resultantes de investimentos.
Entretanto, Eduardo não ficará livre de todos os impostos, pois os norte-americanos que renunciam a cidadania são obrigados a pagar um imposto de saída relativo às suas ações, mesmo que não as venda, explicou Reuven S. Avi Yonah, diretor do programa de tributação internacional na Universidade de Michigan. Para questão de impostos, a Receita Federal norte-americana (IRS) trata as ações como se elas tivessem sido vendidas.

Renúncia “inteligente”

Renunciar a sua cidadania antes que as ações sejam lançadas no mercado (IPO) é uma “ideia bastante inteligente”, no que diz respeito à tributação, disse Yonah. “Uma vez que elas se tornem públicas, você não pode enganar os valores”.
Saverin disputou judicialmente com Zuckerberg, seu colega de sala em Harvard, sobre a propriedade do Facebook. O brasileiro o acionou e os dois chegaram a um acordo por uma quantia não divulgada. O filme “The Social Network”, exibido em 2010, tornou Eduardo famoso, pois o retrata como um amigo abandonado que proveu verba inicial à empresa e depois foi deixado de fora. Na obra, escrita por Aaron Sorkin, o brasileiro foi representado pelo ator Andrew Garfield.
Eduardo mudou-se para os Estados Unidos em 1992 e tornou-se cidadão em 1998, disse seu porta-voz. Ele tem investido em companhias na Ásia, Estados Unidos e Europa. Ele planeja também investir com companhias brasileiras e internacionais, segundo o seu porta-voz. Entre suas empresas nos EUA estão a Jumio Inc., uma companhia de pagamentos online, a Shop Savvy Inc., uma empresa de comparação de preços.
Temendo o risco de sequestros em São Paulo, o brasileiro mudou-se com sua família aos 13 anos de idade para os Estados Unidos e radicou-se em Miami (FL), onde estudou em escolas renomadas antes de ingressar na Universidade de Harvard, publicou o diário NY Daily News.

“Vilão” brasileiro

Correspondências inéditas divulgadas nesta terça-feira (15)  pelo site norte-americano Business Insider mostram mais a fundo os bastidores do desenvolvimento do site e da saída do brasileiro do comando da empresa. Em uma delas, Zuckerberg se refere a Saverin como um "bandido brasileiro".
Em um e-mail que Zuckerberg teria enviado para os advogados do Facebook, o executivo de 20 anos dava permissão para que se iniciasse o processo que culminou na diluição das ações de Saverin para 10% da companhia. "Existe uma maneira de fazer isso sem tornar dolorosamente evidente que ele está sendo diluído a 10%?", diz a mensagem.
Na resposta ao e-mail, o advogado mostra preocupação com o fato de que as ações de Saverin seriam as únicas a serem diluídas, e que ele poderia no futuro reivindicar as emissões dessas ações. Essa preocupação, no fim, mostrou-se pertinente: o brasileiro acabou processando o Facebook e acabou saindo com entre 4% ou 5% da empresa, detalhou o portal online Terra.

Sociedade polêmica

Segundo mensagens trocadas um amigo não identificado na época da criação da rede social, Zuckerberg teria chamado Saverin para fazer parte da rede porque ele tinha dinheiro. "Ele pensa que vai ganhar dinheiro. Eu não entendo nada de negócios, só quero fazer uma coisa legal", teria dito à época. Em 2004, foi com o dinheiro do brasileiro que Zuckerberg pagou pelos servidores que colocaram o site no ar e tornaram o "The Facebook" um sucesso instantâneo na Universidade de Harvard.
Em outro e-mail, enviado ao também sócio Dustin Moskowitz em 2004, Zuckerberg já teria mostrado interesse em remover Saverin da empresa, após o brasileiros ter colocado anúncios por conta própria no Facebook de uma startup em que estava trabalhando. "Ele deveria criar a empresa, obter financiamento, e fazer um modelo de negócio. Ele falhou em todos os três... Agora que eu não vou voltar para Harvard, eu não preciso me preocupar em ser espancado por bandidos brasileiros", teria escrito Zuckerberg na mensagem.
A renúncia da cidadania tem sido a opção escolhida por um número cada vez maior de norte-americanos. O índice recorde de 1.780 pessoas devolveram seu passaporte em 2011, em contraste com 235 em 2008, segundo arquivos governamentais. Os Estados Unidos tributam os lucros obtidos por seus cidadãos, mesmo que tenham sido adquiridos no exterior.

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