Eduardo Saverin, de 30 anos, mudou-se aos 13 anos de
idade com sua família para os EUA, onde foi colega de turma de Mark
Zuckerberg na Universidade de Harvard
Eduardo Luiz Saverin, de 30 anos, natural de São Paulo, o
bilionário co-fundador do Facebook Inc. (FB), renunciou à sua cidadania
norte-americana, antes da venda das ações da rede social avaliada em US$
96 bilhões, uma decisão que poderá fazer com que ele pague menos
impostos. O Facebook planeja aumentar o seu capital com US$ 11.8 bilhões
com a venda das ações, a maior da história para uma companhia na
internet. A parcela de Saverin na empresa é de 4%, segundo o website
“Quem é Dono do Facebook” (Who Owns Facebook). Durante o processo de
avaliação de capital, a sua parcela das ações pode alcançar
aproximadamente US$ 3.84 bilhões.
Mudança para Singapura
Saverin faz parte de um crescente grupo de indivíduos que renunciam a
cidadania norte-americana, uma decisão que pode diminuir os valores
pagos ao imposto de renda. Atualmente, ele reside em Singapura e foi uma
das várias pessoas que ajudou Mark Zuckerberg a iniciar o Facebook em
um dormitório na Universidade de Harvard e espera receber bilhões de
dólares depois que a maior rede social do mundo lançar suas ações no
mercado.
“Eduardo achou recentemente mais prático se tornar um residente de
Singapura, uma vez que ele decidiu viver lá por tempo indefinido”, disse
Tom Goodman, porta-voz do bilionário brasileiro.
O nome de Saverin consta na lista de pessoas que decidiram renunciar a
cidadania norte-americana a partir de 30 de abril, publicada pela
Receita Federal. O brasileiro apresentou sua aplicação em setembro do
ano passado, segundo o seu porta-voz.
A decisão pode fazê-lo economizar milhões em impostos gerados por
suas ações no Facebook e evitar a cobrança de impostos em seus
investimentos futuros. Singapura não cobra impostos sobre ganhos
resultantes de investimentos.
Entretanto, Eduardo não ficará livre de todos os impostos, pois os
norte-americanos que renunciam a cidadania são obrigados a pagar um
imposto de saída relativo às suas ações, mesmo que não as venda,
explicou Reuven S. Avi Yonah, diretor do programa de tributação
internacional na Universidade de Michigan. Para questão de impostos, a
Receita Federal norte-americana (IRS) trata as ações como se elas
tivessem sido vendidas.
Renúncia “inteligente”
Renunciar a sua cidadania antes que as ações sejam lançadas no
mercado (IPO) é uma “ideia bastante inteligente”, no que diz respeito à
tributação, disse Yonah. “Uma vez que elas se tornem públicas, você não
pode enganar os valores”.
Saverin disputou judicialmente com Zuckerberg, seu colega de sala em
Harvard, sobre a propriedade do Facebook. O brasileiro o acionou e os
dois chegaram a um acordo por uma quantia não divulgada. O filme “The
Social Network”, exibido em 2010, tornou Eduardo famoso, pois o retrata
como um amigo abandonado que proveu verba inicial à empresa e depois foi
deixado de fora. Na obra, escrita por Aaron Sorkin, o brasileiro foi
representado pelo ator Andrew Garfield.
Eduardo mudou-se para os Estados Unidos em 1992 e tornou-se cidadão
em 1998, disse seu porta-voz. Ele tem investido em companhias na Ásia,
Estados Unidos e Europa. Ele planeja também investir com companhias
brasileiras e internacionais, segundo o seu porta-voz. Entre suas
empresas nos EUA estão a Jumio Inc., uma companhia de pagamentos online,
a Shop Savvy Inc., uma empresa de comparação de preços.
Temendo o risco de sequestros em São Paulo, o brasileiro mudou-se com
sua família aos 13 anos de idade para os Estados Unidos e radicou-se em
Miami (FL), onde estudou em escolas renomadas antes de ingressar na
Universidade de Harvard, publicou o diário NY Daily News.
“Vilão” brasileiro
Correspondências inéditas divulgadas nesta terça-feira (15) pelo
site norte-americano Business Insider mostram mais a fundo os bastidores
do desenvolvimento do site e da saída do brasileiro do comando da
empresa. Em uma delas, Zuckerberg se refere a Saverin como um "bandido
brasileiro".
Em um e-mail que Zuckerberg teria enviado para os advogados do
Facebook, o executivo de 20 anos dava permissão para que se iniciasse o
processo que culminou na diluição das ações de Saverin para 10% da
companhia. "Existe uma maneira de fazer isso sem tornar dolorosamente
evidente que ele está sendo diluído a 10%?", diz a mensagem.
Na resposta ao e-mail, o advogado mostra preocupação com o fato de
que as ações de Saverin seriam as únicas a serem diluídas, e que ele
poderia no futuro reivindicar as emissões dessas ações. Essa
preocupação, no fim, mostrou-se pertinente: o brasileiro acabou
processando o Facebook e acabou saindo com entre 4% ou 5% da empresa,
detalhou o portal online Terra.
Sociedade polêmica
Segundo mensagens trocadas um amigo não identificado na época da
criação da rede social, Zuckerberg teria chamado Saverin para fazer
parte da rede porque ele tinha dinheiro. "Ele pensa que vai ganhar
dinheiro. Eu não entendo nada de negócios, só quero fazer uma coisa
legal", teria dito à época. Em 2004, foi com o dinheiro do brasileiro
que Zuckerberg pagou pelos servidores que colocaram o site no ar e
tornaram o "The Facebook" um sucesso instantâneo na Universidade de
Harvard.
Em outro e-mail, enviado ao também sócio Dustin Moskowitz em 2004,
Zuckerberg já teria mostrado interesse em remover Saverin da empresa,
após o brasileiros ter colocado anúncios por conta própria no Facebook
de uma startup em que estava trabalhando. "Ele deveria criar a empresa,
obter financiamento, e fazer um modelo de negócio. Ele falhou em todos
os três... Agora que eu não vou voltar para Harvard, eu não preciso me
preocupar em ser espancado por bandidos brasileiros", teria escrito
Zuckerberg na mensagem.
A renúncia da cidadania tem sido a opção escolhida por um número cada
vez maior de norte-americanos. O índice recorde de 1.780 pessoas
devolveram seu passaporte em 2011, em contraste com 235 em 2008, segundo
arquivos governamentais. Os Estados Unidos tributam os lucros obtidos
por seus cidadãos, mesmo que tenham sido adquiridos no exterior.
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