A
região é a que mais cresce economicamente no país, e o melhor exemplo de seu
dinamismo é a área metropolitana de Recife, que respira novos investimentos e
inicia a disputa por profissionais qualificados.
Por
Luiz de França.
Há
pouco mais de uma ano a Accenture, empresa global de consultoria, tecnologia e
outsourcing, abriria seu primeiro escritório no Nordeste para prestar serviços
na área de tecnologia, mas não para o mercado local e, sim, para outros centros
da própria empresa espalhados pelo mundo. O lugar escolhido foi o Porto
Digital, um arranjo produtivo de tecnologia da informação e comunicação, que
abriga atualmente 182 empresas com foco em desenvolvimento de softwares e áreas
afins e está situado no centro antigo do Recife, capital pernambucana. Uma vez
presente fisicamente na cidade, não dava para ignorar as oportunidades de
negócios que a regional oferecia. O resultado foi a ampliação da oferta de
serviços a outras cidades situadas no Nordeste. Na Accenture, a unidade de
Recife está entre as três com maior
atividade no momento, ao lado de Belo Horizonte e Porto Alegre. “Estamos
supersatisfeitos com os resultados”, diz Roger Ingold, presidente da Accenture.
O
escritório da capital pernambucana já tem cerca de 200 profissionais e a
estimativa é terminar o ano pelo menos mais 150 pessoas contratadas. Ao todo, a
Accenture pretende criar 1700 vagas nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste nos
próximos 12 meses. Os profissionais que procura são engenheiros,
administradores e cientistas da computação. Eles deverão atender a uma demanda
crescente nas áreas de infraestrutura, agronegócios, saúde, setor público,
energia e telecomunicações, que são as apostas da Accenture para a economia
brasileira e para impulsionar o crescimento da consultoria no país, que em 2011
foi de 25% em relação ao ano anterior.
Em
Recife, que representará 10% das contratações de pessoal no país, a estratégia
é atrair gente que queira investir em uma carreira dentro da empresa. “Não
estamos contratando para projetos isolados, queremos gente para crescer aqui
dentro”, diz Roger. Essa preocupação faz sentido porque, em um mercado que
começa a se aquecer, como o nordestino, as ofertas de trabalho aumentam e a
competitividade pela mão de obra qualificada se acirra. Assim como a Accenture,
muitas organizações estão mirando o Nordeste. Na pesquisa da VOCÊ S/A, 77
empresas afirmaram que vão abrir 35.120 vagas na região este ano. Um número
proporcionalmente maior ao da pesquisa do ano passado, quando 95 companhias planejavam
contratar 32.720 pessoas. E, desta vez, há oportunidades em nove setores:
serviços, varejo, indústria, siderurgia, construção civil, tecnologia da
informação, química e petroquímica e telecomunicações.
Segundo
relatório da pesquisa mensal de emprego do IBGE, a população ocupada das
regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro,
Salvador e São Paulo saltou de 17,6 milhões, em setembro de 2011, um aumento de
quase 30%. No caso da região metropolitana de Recife, boa parte desse momento
está relacionada aos investimentos feitos no Porto de Suape e em seu entrono,
que deverão atingir 35 bilhões de dólares até 2017.
Esse
dinheiro reflete a entrada de empresas que acrescentaram novas atividades na
economia pernambucana: offshore e naval, petróleo e gás, petroquímica,
farmacêutica, automobilística e siderúrgica, que já começam a competir por
profissionais com os setores tradicionais. “Administradores,, gerentes
intermediários e controllers são alguns dos cargos que vão faltar no mercado
assim que todos esses setores começarem a engrenar”, diz Francisco Cunha,
analista de mercado e sócio da TGI Consultoria. A estimativa é que o Nordeste e
Pernambuco continuem crescendo acima do Brasil pelos próximos cinco anos. O PIB
pernambucano, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos, foi de 9,3%
em 2010, enquanto o Brasil registrou 7,5%. A previsão para este ano é que o PIB
do estado continue cerca de 2% acima do PIB nacional. “O problema é o que será
do Nordeste depois da Copa, pois a próxima bola da vez serão o Rio de Janeiro
com o pré-sal e os grandes eventos ligados aos esportes”, diz Francisco Cunha.
O consultor acredita que as questões energéticas e agrícolas tomarão conta da
agenda econômica depois da Copa, o que favorecerá as regiões Sudeste e Sul do
país.
Leonardo
Souza, diretor da consultoria de recrutamento Michael Page em Recife, é mais
otimista e aponta as profissões relacionadas à energia renovável e à construção
pesada e imobiliária como duas áreas com futuro garantido na região. “Como o
nordeste não é uma massa homogênea, essas referências profissionais vão estar
muito relacionada às características de cada estado.” Para ele, uma prova da
evolução regional é que a diferença de remuneração para as funções técnicas em
relação ao Sudeste praticamente não existe mais. “Uma próxima etapa é a redução
também dessa diferença nos níveis gerencial e executivo,, que continua em torno
de 15% a menos que em outros mercados, como São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma
Leonardo, da Michael Page.
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